Confira a entrevista do deputado Marcelino Galo para o jornal Tribuna da Bahia

Confira a entrevista do deputado Marcelino Galo para o jornal Tribuna da Bahia

Nesta terça-feira (04) foi divulgada a entrevista do deputado estadual e candidato a reeleição Marcelino Galo para o jornal Tribuna da Bahia. Leia mais abaixo.

Como avalia a atuação da Assembleia na atual legislatura?

Marcelino Galo: Tivemos uma atuação bastante produtiva no legislativo nesse período. Por exemplo, o trabalho das comissões temáticas, que muitas vezes a imprensa não acompanha, foi extremamente importante, travando discussões fundamentais para a sociedade, como a da crise hídrica, envolvendo nossas Bacias Hidrográficas, como a do Rio São Francisco, o debate sobre a questão carcerária e também da segurança pública cidadã, sobre a pauta ambiental relacionada ao desmatamento e exploração predatória de nossos biomas e também a discussão sobre a produção de alimentos orgânicos e agroecológicos, livres de veneno, que também está relacionada tanto a questão do meio ambiente como à saúde pública, visto que, com o descalabro ambiental e sanitário causado pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, o índice de contaminação e intoxicações são alarmantes, refletindo, por exemplo, no extermínio de populações de abelhas, fundamentais à biodiversidade, e na propagação de doenças como infertilidade e câncer.

Como avalia seu próprio mandato? O que pode ser colocado como destaque para a população?

Marcelino Galo: Nosso mandato leva para o parlamento às lutas e causas que são coletivas, como da pesca, da cultura, da agricultura orgânica e agroecológica, dos movimentos sociais, do meio ambiente, da juventude, dos direitos humanos e da segurança pública cidadã. Apresentamos uma série de projetos de Lei e Indicações que são fruto dessas lutas, dessas discussões públicas que fizemos tanto nas Comissões Temáticas, com os outros deputados, como com audiências públicas na Assembleia Legislativa e também nas Universidades, nos municípios e nas comunidades rurais que representamos. Dentre eles, há o Projeto de Lei que propõe a instituição da Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica, porque é possível, sim, produzir alimentos livres de veneno, saudáveis, para toda população e a preço acessível. Para isso, o Estado brasileiro precisa criar políticas públicas que fomente e induza a esse modelo de produção sustentável, que respeita os ciclos naturais e inclua os produtores, dando as mesmas condições que foram criadas para o agronegócio. A Agricultura familiar é responsável por 70% dos alimentos que consumimos, e isso não pode ser negligenciado. Então, esses pequenos produtores precisam de assistência técnica, financiamento, enfim, apoio institucional e político para não cair nessa grande armadilha que se transformou a indústria dos agroquímicos, que impõe o uso indiscriminado de agrotóxicos como solução para a produção de alimentos, mas sabemos, com dados científicos inclusive, de que essa não é a solução, e sim, um grande problema sanitário e ambiental que tem impactado severamente nossos recursos naturais e causando danos irreversíveis, muitas vezes, à saúde humana. Na Assembleia Legislativa, além desse, também tramita mais de 40 projetos de minha autoria, entre eles o que institui a Política Estadual de Incentivo à formação de Bancos Comunitários de Sementes e Mudas de Variedades e Cultivares Locais, Tradicionais ou Crioulos, institui a Política Estadual de Desenvolvimento Sustentável da Pesca e Aquicultura, a Indicação que sugere o aporte mínimo de 1,5% do orçamento do Estado para a Cultura, os Projetos de Lei que proíbe a pulverização aérea de agrotóxicos na Bahia e institui o Desmatamento zero na Bahia, propondo a proteção das florestas nativas.

Como avalia a gestão de Rui Costa?

Marcelino Galo: A Bahia deve se orgulhar de ter o melhor governador do Brasil. Rui Costa revolucionou a mobilidade urbana em Salvador, com viadutos, novas vias e avenidas. O metrô que por muito tempo foi motivo de chacota e piada, hoje é referência nacional, sendo o terceiro maior do Brasil. Rui também fez uma verdadeira revolução na saúde pública do nosso estado, com novos hospitais, como o da Mulher, o HGE 2, os Hospitais Regionais da Chapada, da Costa do Cacau, com a implantação das Policlínicas Regionais, interiorizando e descentralizando a saúde, fortalecendo a assistência e o acesso a esses serviços públicos essenciais para população. E tudo isso num cenário atípico, de crise econômica, política e institucional, agravada pelo golpe que impôs uma agenda neoliberal com o congelamento dos gastos públicos por 20 anos e fez o nosso país retroceder em todos indicadores sociais. Num cenário em que Michel Temer, obedecendo seu aliado, ACM Neto, perseguiu a Bahia de todas as formas, inviabilizando parcerias que tinham sido construídas nos governos Lula e Dilma e querendo até impedir a liberação de recursos que já tinha sido aprovados junto ao Banco do Brasil.

Quais as maiores carências do Estado? O que deve ser colocado como prioridade pelo próximo governador?

Marcelino Galo: O Estado tem carências históricas, que são estruturantes. Nos últimos anos nossos governos fizeram nosso estado avançar em todos indicadores. Mas temos consciência de que muito precisa ser feito, não à toa nosso governador impôs um ritmo intenso de trabalho, apresentando muitos avanços, apesar da crise. Entre as prioridades, com certeza, estão fortalecer o desenvolvimento regional e territorial, como grande fomentador da geração de oportunidades e postos de trabalho, consolidar as ações voltadas para a saúde pública, fortalecer os investimentos voltados para a agricultura familiar, assegurar mais investimentos na educação técnica, profissional e universitária e garantir um aporte mínimo de 1,5% do orçamento do estado para a Cultura, porque a cultura é um eixo estratégico, fundamental de desenvolvimento para nosso estado. Acredito que nesse segundo governo Rui Costa, com Lula e Haddad na presidência da República, a Bahia vai avançar ainda mais com essa parceria, com muito trabalho e políticas públicas que fortaleçam nosso desenvolvimento.

Acredita que o cenário nacional da política vai impactar nas eleições estaduais na Bahia?

Marcelino Galo: A população sente na pele os efeitos do golpe. Compreende a natureza e o objetivo das ações dos golpistas, que tomaram o poder de assalto para beneficiar os ricos e massacrar os pobres. O golpe cristalizou a luta de classes em nosso país, e a população também compreende isso. Entende por que Lula foi sequestrado e Dilma deposta. Esse contexto, evidentemente, não estará fora das eleições estaduais. Por isso a oposição, na Bahia, liderada pelo DEM, PSDB, MDB, que apoiou o golpe e as reformas, esconde que é aliada de Temer e de sua política neoliberal perversa. Mas o povo não é bobo e dará a resposta nas urnas, no dia 7, elegendo Lula e Haddad à presidência da República e deputados e senadores que são contra a reforma trabalhista, contra a reforma da previdência e contra esse desmonte estrutural que fez o Brasil retroceder em todos indicadores sociais e econômicos.

Leia a matéria no site do Tribuna da Bahia.

Deixe uma resposta